Começar forte não é o mesmo que chegar cedo

 

Hoje eu tenho 30 anos. Sou mulher, comunicadora, empreendedora — e estou mais consciente do que nunca sobre o peso e a beleza de recomeçar.

Aos vinte e poucos anos, eu achava que estava fazendo tudo certo.
Trabalhava duro, recusava distrações, planejava cada passo com muito cuidado.
Enquanto algumas pessoas da minha idade estavam viajando, explorando ou simplesmente vivendo no ritmo delas, eu estava ocupada construindo.

Aprendendo habilidades, fazendo freelance, estudando, me comprometendo com prazos que nem sempre cabiam na minha energia.
Pensei que, se eu me esforçasse o suficiente no começo, a vida me recompensaria com tranquilidade lá na frente.

Mas a verdade é: a vida não funciona assim.

Cheguei aos 30 tendo que reconstruir partes importantes da minha trajetória — e com muito mais maturidade pra admitir isso.

Enquanto isso, pessoas que pareciam estar “apenas vivendo” agora têm carreiras estáveis, casamentos, filhos, imóveis. Suas vidas parecem organizadas, sólidas.
E às vezes, sim, isso me atravessa.

Não por inveja. Mas por aquele pensamento silencioso:
“Ué, não era eu quem estava sempre cinco passos à frente? Por que sou eu quem tá voltando pra base agora?”

Passei anos me cobrando para ser produtiva, consistente, perfeita.
Fiz sacrifícios: deixei de dormir, de descansar, de aproveitar momentos simples. Tudo em nome do plano.
Mas planos quebram. Carreiras mudam. Ciclos acabam.
E o mais difícil: às vezes, você percebe que aquele caminho todo que construiu… já não combina mais com quem você se tornou.

Foi o que aconteceu comigo.

Recomeçar exige coragem. Mas recomeçar depois de já ter se entregado ao máximo? Isso mexe fundo.
Porque a comparação bate. A insegurança bate. A pergunta interna: “Será que eu fracassei?” também aparece.

Só que quanto mais eu reflito, mais percebo:
A vida não é uma corrida.

Cada pessoa tem seu tempo. Algumas crescem cedo. Outras florescem aos 40. Algumas têm suporte. Outras têm que aprender tudo na marra.
E muitas ainda estão perdidas, só não falam sobre isso.

Hoje eu entendo que o meu caminho não é atrasado — é apenas meu.
E que recomeçar, do jeito certo, com mais consciência, verdade e intenção… vale muito mais do que continuar no automático só pra parecer estável.

Talvez eu não tenha falhado.
Talvez a vida só tenha me pedido uma pausa pra reconstruir algo mais honesto, mais leve e mais alinhado comigo.

Então sim — eu continuo trabalhando.
Mas agora, com outra cabeça.
Não porque tenho medo de ficar pra trás, mas porque confio que o que é meu está a caminho. E vai chegar na hora certa.

Hoje, eu não sigo mais o cronograma dos outros.
Sigo o meu.
Com presença, com fé, com estratégia — e com a coragem de continuar, mesmo sem garantias.

Porque ser humana é isso.

Não se trata de ter tudo pronto.
Se trata de ter clareza suficiente pra continuar, mesmo quando o caminho muda.

E tudo bem.

Continue construindo. Continue confiando.
E fale como se já fosse real.

Porque é.

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